Os inimigos do adventismo gostam de contar uma mentira, a saber, de que as doutrinas adventistas teriam sido inventadas por Ellen White.  A “louca” como é conhecida por eles, teria inventado tudo, até mesmo a guarda do sábado.

Mas nada disso é verdade. Vejamos como surgiram as doutrinas adventistas:

1. A Guarda do sábado

Lembrate do sábado

A Guarda do sábado não veio das idéias de Ellen White. Mas de um membro da Igreja Batista do Sétimo dia, chamada Raquel Oakes. Por volta de 1844 ela mostrou os 10 mandamentos (Êxodo 20) e validade do sábado para uma igreja de Washington, New Hampshire. Vários membros começaram a guardar o sábado. O Ministro da Igreja Batista dominical Thomas Preble publicou um artigo defendendo o sábado no jornal Midnight Cry. Em março de 1845 ele publicou um panfleto de 12 páginas chamado “Tratado mostrando que o sétimo dia deve ser observado como o sábado, em vez do primeiro dia: segundo o mandamento”.  José Bates leu o folheto e se convenceu do sábado em abril de 1845. José Bates escreveu o estudo: ”O Sábado do Sétimo dia: Um Sinal Perpétuo”. O casal Tiago White e Ellen White leram o folheto e começaram a defender a guarda do sábado em agosto de 1846. José Bates entrou em contato com a doutrina do santuário de Crosier, Edson e Hahn e em 1847 fez a ligação da guarda do sábado com o santuário e a arca da aliança que existem no Céu (Apoc. 11:19) dando sentido a grande parte da teologia adventista.

Portanto, A Igreja Batista do Sétimo Dia, defensora da guarda do sábado desde o século XVII foi a luz para os primeiros adventistas e não Ellen White.

2. A Doutrina do Santuário Celestial, Juízo Pré Advento ou Juízo Investigativo dos mortos e depois dos vivos.

santuario celeste jesus1

O Movimento do batista Miller interpretou Daniel 8:14: “Até 2300 tardes e manhãs e o santuário será purificado” da seguinte maneira: como a Terra seria purificada por fogo no juízo final, a purificação do santuário significava a volta de Jesus no final de 2300 anos. Esse período acabaria na primavera de 1844. Quando nada ocorreu foi marcado a data de 22/10/1844.

Quando ocorreu o desapontamento da primavera Josias Litch escreveu: “Não foi provado que a purificação do santuário seja a vinda de Cristo ou a purificação da Terra”. Após o desapontamento do Outono, Joseph Marsh, Apollos Hale e Joseph Turner escreveram que a vinda do Filho do Homem, na cena do juízo de Daniel 7 indicava alguma mudança de função ou trabalho de Cristo no Céu. No dia seguinte ao desapontamento de 22/10/1844, o metodista Hiram Edson, estava indo visitar seus companheiros de crença e achar um significado do desapontamento do dia anterior quando “parou no meio do caminho e percebeu claramente que Jesus estaria entrando no segundo compartimento do santuário celeste em 1844”.  Hiram Edson, Crosier e F.B. Hahn estudaram a bíblia e publicaram sobre o assunto no começo de 1845 na revista Day Dawn.

Em 7 de fevereiro de 1846, Crosier publicou praticamente a doutrina do santuário inteira na revista Day-Star chegando a conclusão de que existe um santuário no Céu, no qual o santuário de Moisés era mera cópia (Hebreus 8, Apoca 11:19), a primeira fase do trabalho de Cristo no santuário tratava do perdão e a segunda fase envolve a purificação do santuário e de cada crente com o cancelamento dos pecados na análise dos livros celestiais.

Portanto a doutrina do santuário celestial foi primeiramente ensinada por Hiram Edson, Crosier e F.B. Hahn, não sendo criação de Ellen White.

3. A Mensagem do Terceiro Anjo sobre a Marca da Besta

marca da besta e selo de deus questao de adoracao20

Como foi dito anteriormente, em 1845 José Bates escreveu o estudo: ”O Sábado do Sétimo dia: Um Sinal Perpétuo”.  Em 7 de fevereiro de 1846, Crosier publicou a doutrina do santuário na revista Day-Star. Então José Bates juntou tudo e em 1847 publicou uma extensão dos estudos no folheto ‘O Sábado do Sétimo Dia”. Ele fez a ligação da guarda do sábado com o santuário e a arca da aliança que existem no Céu (Apoc. 11:19) conforme a doutrina do santuário. Enquanto Apocalipse 14:12 diz que os santos guardam os mandamentos de Deus, Apocalipse 14:9-11 fala de uma marca da Besta. Então ele chegou a conclusão de que um dos mandamentos de Deus seria a prova final: “A restauração do sábado do sétimo dia provará toda alma vivente”. Em Janeiro de 1849 ele publicou o estudo O SELO DE DEUS, estando já formada a doutrina da mensagem dos 3 anjos.

4. A Imortalidade Condicional

Ressurreição Total

A doutrina da mortalidade dos maus, ou mortalidade da alma, ou imortalidade condicional  foi defendida por George Storrs em 1841 no panfleto: “São as almas imortais?”. Em 1842 ele publicou uma versão ampliada. Como todos achavam que o fim chegaria em 1844 poucos prestaram atenção. Mas mesmo assim, em janeiro de 1844 o pastor Charles Fitch aceitou a verdade sobre o estado dos mortos. Então, após 1845 os estudos chegaram até José Bates, Tiago e Ellen White que passaram a defender o estudo inicial de Storrs. Em 1848, já era consenso entre os primeiros líderes adventistas.

5. Os Estados Unidos em Apocalipse 13:11-17.

Estados Unidos na Bíblia

Em janeiro de 1849 Bates publicou o folheto O SELO DE DEUS. Praticamente os adventistas já haviam chegado a conclusão de que haveria uma perseguição futura sobre a questão do sábado, a marca de Deus, contra o selo da besta: a guarda obrigatória do domingo. Em Março de 1850, Tiago White publicou na Revista Verdade Presente uma carta de George W. Holt. Essa carta fez uma raciocínio lógico: como a besta de Apocalipse 13:11-17 parece com um cordeiro, tem relação com o protestantismo e o republicanismo e sua oposição a verdade do sábado. Ainda em 1850 foi publicada outra carta, agora do pastor Hiram S. Case, de que a “imagem da besta” é uma cópia da primeira besta, ou seja, seria a união das igrejas protestantes com o estado.

No início de 1851, aos 22 anos, John N. Andrews escreveu um artigo intitulado “Reflexões sobre Apocalipse 13 e 14” e chegou a conclusão de que os Estados Unidos são a fera de Apocalipse 13:11-17. Mas ele ainda não usa o nome do país. Ele diz: “Desta Nação”. Em 1854 a Revista adventista pela primeira vez usa o nome por extenso, ou seja,  escreveu pela primeira vez “Estados Unidos”. Estava formada a espetacular doutrina adventista.

Ellen White condensou esses ensinos, juntamente com suas visões, no livro O Grande Conflito que teve sua primeira edição em 1884 e a definitiva em 1888. Portanto, ela não inventou essa doutrina.

6- As Visões de Ellen White

Ellen White visão de publicações

A primeira visão de Ellen White foi publicada em 1846, mas ela ocorreu em dezembro de 1844, aos 17 anos, não muito tempo depois do Grande Desapontamento de 22 de outubro de 1844. Trata do Grande Desapontamento.

Primeira Visão:

A segunda visão tornou-se conhecida como a visão do “Noivo”; Ellen White a recebeu em Exeter, Maine, em fevereiro de 1845.

Em 14 de março de 1858, em Lovett Grove, Ohio, White recebeu um vislumbre cósmico do conflito “entre Cristo e Seus anjos, e Satanás e seus anjos.” Ellen White exporia este tema do grande conflito que finalmente se transformaria na série Conflito dos Séculos.

Em agosto de 1868 veio um dos sonhos mais famosos: do caminho estreito.

Foi na casa do irmão A. Hilliard, em Otsego, Michigan, a 6 de junho de 1863, que ela teve a grande visão da reforma de saúde.  Deus confirmou os mandamentos de Levítico 11 e Deuteronômio 14 e muito mais. Ela disse: ”O Senhor expôs perante mim um plano geral. Foi-me mostrado que Deus daria ao Seu povo que guarda os Seus mandamentos uma reforma alimentar, e que quando eles a recebessem, suas enfermidades e sofrimentos deveriam diminuir grandemente. Mostrou-se-me que essa obra progrediria”. Conselhos Sobre Saúde, pág. 531. 

Hoje, os adventistas vivem mais do que a população mundial, como documentado pela National Geographic e SBT Realidade.

A visão de Ellen White sobre a saúde foi a que mais influenciou os adventistas do sétimo dia, ao lado da visão do grande conflito entre Cristo e Satanás.

Fonte: Em Busca de Identidade. George Knight, CPB, 2005.

O Último Império. Vandelei Dorneles, CPB, 2012.

Uma resposta a “As Origens dos Ensinos Adventistas: Será que as Doutrinas Adventistas foram inventadas por Ellen White?”

  1. É de chorar… tamanho desespero por “tentar tapar o sol com a peneira” (Ops! Escapou… pois certos adventistas são tão paranóicos em achar que A Grande Conspiração Satânica é, em grande parte ou na essência, contra os que observam o 7º Dia como sendo rigorosamente o Sábado semanal do calendário sob o qual estejam sujeitos (ou que vigora em seu país), que poderá se escandalizar por eu ter usado a expressão “… tapar o SOL…”. (PRESTE ATENÇÃO! Pois não estou com isso negando o Sábado como ordenança bíblica. Pois, ao falar “tapar o SOL…” está arriscado você dizer que sou um adorador do “sol” (ou do deus sol) no domingo.
    Se liga… não sou teu inimigo! Mas, alguém que preza pela HONESTIDADE INTELECTUAL (e acredite, tenho procurado praticar isto).
    Vejamos, como exemplo, a crítica adventista ao Arrebatamento Pré-Tribulação:
    O Arrebatamento Pré-Tribulação (ou como preferem os adventistas: Arrebatamento SECRETO) seria uma crença ou doutrina de ORIGEM HISTORICAMENTE RECENTE, produto do futurismo do padre jesuita Francisco Ribera (1537-1591) e do dispensacionalista John Nelson Darby (1800-1882), pastor anglicano.
    REFLEXÃO Nº 1: isto revela ou demonstra que tal crença foi inventada ou “redescoberta” e sistematizada, ainda que histórica e recentemente no tempo?
    Pois, se o fato de envolver nomes como Francisco Ribera e John Nelson Darby for válido como um dos critérios para invalidar tais crenças ou doutrinas (ou mesmo o fato de “históricamente recente”), então o mesmo poderia ser aplicado à retomada histórica da guarda do sábado (que como você mesmo admitiu: envolveu a redescoberta, sistematização e retomada sob a iniciativa de nomes como Raquel Oakes, Thomas Preble, etc.

    REFLEXÃO Nº 2: o fato de que os reformadores protestantes interpretaram o papado como sendo o Anticristo em sua época também não significa que houve uma descoberta historicamente recente? Também: só porque foi um padre (Francisco Ribera) que em suas pesquisas concluiu (com base em Daniel 9.26, 27) que o Anticristo AINDA VIRIA significa ou justifica que o “futurismo” é uma “mentira”?
    Seria vergonhoso para protestantes (que já compartilhavam, como herança com os teólogos católicos, que uma das interpretações de Daniel 9.26, 27 era coisa do passado – e portanto “preterismo”) TER QUE ADMITIR QUE FOI UM PADRE QUEM DESCOBRIU (ou REDESCOBRIU?) que Daniel 9.27 esteja no futuro?

    TEMOS QUE TOMAR CUIDADO PARA NÃO REJEITAR DE IMEDIATO CERTAS COISAS SÓ PORQUE HISTORICAMENTE ESTEJAM RELACIONADAS COM TEÓLOGOS CATÓLICOS! Pois essa atitude pode também ser entendida como paranóia o fobia de tudo que tenha relação com os nomes Catolicismo, Vaticano, etc.

    OBS: não sou católico. Busco e proponho uma busca honesta – E NÃO APENAS SINCERA. Pois, sinceridade não significa de fato ou que haja honestidade. Uma pessoa pode estar sendo sincera, mas não honesta em sua busca. Pois no fundo, pode estar buscando resposta que correspondam às suas expectativas e, portanto, não disposta a aceitar a verdade de fato. O que acha?

    Para finalizar: sou admirador dos adventistas e da Igreja em si. Eu a vejo como parte da Igreja Remanescente, mas, não a Igreja Remanescente. A paz amigo/irmão. Unidos: SIM! Dividos: NÃO!

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