
Se o prezado amigo é seguidor deste espaço, certamente reparou a ausência de atualizações ao longo das últimas quatro semanas. De facto, isso deveu-se a eu ter participado de um projeto missionário em Cabo Verde – sim, a segunda vez em menos de um ano, embora em âmbitos diferentes. As menores condições locais de comunicação, o tempo bastante limitado bem como algum desgaste mental natural, assim me forçaram a fazer.
Ao regressar a essa quente e boa terra, pude perceber que ainda se notam os efeitos do programa desenvolvido o ano passado, sobre o qual em tempo oportuno dei conta aqui. Ainda há igrejas e irmãos envolvidos e empenhados na missão que lhes foi entregue nessa ocasião, e muitos dos que ouviram (e ouvem) ainda se estão a decidir pelo batismo, fruto também da grande campanha de evangelização que foi desenvolvida na cidade da Praia.
Isto leva-me (novamente) a uma pequena reflexão acerca da diferença entre “evento” e “estilo de vida”.
O mundo está cheio de eventos, de todos os tipos possíveis e imaginários. Tantas vezes rapidamente se cria uma excitação, não poucas vezes desmedida, para, passada a euforia geral, tudo voltar a uma normalidade que remete o entusiasmo anterior para uma saudade que nem se percebe bem (verá isso a acontecer nas próximas semanas com o Euro 2012).
Por outro lado, um estilo de vida é uma regra definida e estabelecida, uma norma, um padrão de funcionamento do qual só nos desviamos por razões extraordinárias, imprevistas e de força maior. E é neste último caso que devemos incluir a nossa missão evangélica, pessoal e coletiva.
Quando falei com alguém que revi ao fim de quase um ano, ninguém me veio dizer que Cabo Verde, e a cidade da Praia em particular, continuam com as constantes falhas de energia elétrica e água; pelo contrário, a carência que sempre me é apontada é a falta de materiais missionários: folhetos, livros, estudos bíblicos, etc.. Não me contam das dificuldades que passam, mas alegremente explicam que já não cabe mais gente na sala da igreja.
Talvez por isso me tenha sentido particularmente satisfeito e seja o que mais recorde, quando pude entregar cinco exemplares de “O Grande Conflito” de Ellen White a líderes mórmons da capital do país, outro a um muçulmano renitente que costura no passeio de uma rua, e ainda outro ao comandante de um voo interno dos TACV, pois isso é o suficiente para me concentrar no que tem mais valor e relativizar o que não é tão importante assim.
O que não quero é perder esta firme noção que se explica só por si: eventos passam; estilo de vida permanece. Tal e qual a igreja cabo-verdiana me ensinou…
Fonte: O Tempo Final

Deixe um comentário