
Terminei de ler: “PASSOS PARA CRISTO – Ellen White e o conceito de santificação”, por Fábio Augusto Darius. Do qual pincei do texto os seguintes pensamentos:
- “O movimento de William Miller, um simples fazendeiro como muitos outros de seu tempo, teve desde seus primeiros dias um caráter profundamente espiritual e abnegado. Rejeitou a institucionalização, e seu foco era simplesmente a verdade redentora do advento de Cristo, calculado primeiramente para algum tempo entre março de 1843 e março de 1844 e finalmente recalculado para o dia 22 de outubro desse mesmo ano. Pregando em todas as igrejas que lhe abriam as portas, Miller sacudiu cidades inteiras e levou a paz e a conversão a incontáveis pessoas. Amante ardoroso da Bíblia e especialmente da porção destinada às profecias – em ambos os Testamentos –, seu legado é impressionante. Passados mais de 150 anos, a semente lançada pelo fazendeiro dos Estados Unidos hoje encontra acolhida em mais de duzentos países e cresce francamente levando a mensagem do evangelho aos diferentes pontos do mundo” (p. 47).
- “Os adventistas do sétimo dia, em grande medida, consideram Ellen White uma escritora inspirada pelo Espírito Santo, da mesma forma que os profetas bíblicos o foram, e por esse motivo tomam muito a sério seus escritos […]. Ellen White precisou passar por um crivo ferrenho de grande parte de seus companheiros para só então ser reconhecida como profetisa ou ‘mensageira do Senhor’” (p. 74, 76).
- “Uma pessoa pode encontrar Cristo e ser salva sem nunca ter lido uma linha sequer de Ellen White, sendo que a Bíblia é a única fonte, teste e autoridade de todas as crenças dos adventistas do sétimo dia […]. Ellen White é… considerada uma mensageira ou profetisa, segundo a visão adventista do sétimo dia – mesmo não fazendo parte do cânon bíblico a apesar de ter nascido somente no século 19 depois de Cristo – por se enquadrar nos mesmos requisitos que os profetas bíblicos cumpriram” (p. 79).
- “Seus escritos, até hoje, quase cem anos depois de sua morte, continuam testificando de seu espírito de humildade cristã. O livro Steps to Christ (literalmente, Passos para Cristo) a tornou mundialmente conhecida e uma das escritoras mais traduzidas da história, com cópias em mais de 150 línguas diferentes. Só no Brasil, mais de 60 milhões de exemplares foram vendidos e distribuídos” (p. 91-92).
- “O pressuposto básico de Miller era retornar à Bíblia, ao que ele considerava o verdadeiro cristianismo, extirpando da reta doutrina todos ‘os carrapatos’ que durante séculos a ela se apegaram, alterando seus significados e ações. Nesse sentido, Miller era uma espécie de reformador radical até a medula. Expunha sem medo aquilo que considerava doutrinariamente errado e admoestava as pessoas para uma verdadeira conversão e santificação” (p. 99).
- “É muito importante notar que, desde os primeiros dias do adventismo, a única regra de fé é e sempre foi a Santa Bíblia. Porém, aproximadamente uma geração depois da institucionalização da igreja, com a precisão e o direcionamento claro dos escritos de Ellen White, houve quem buscou elevá-los ao mesmo status da Bíblia. Assim fazendo, teria a igreja, quem sabe até os dias de hoje, um caráter um tanto sectário e normatizado por tradições, exatamente como o catolicismo romano, instituição com a qual tanto combateu – teoricamente – desde os primeiros dias de sua história” (p. 119-120).
- “A Igreja Adventista entende a mensagem de justificação pela fé trazida à luz por Jones e Waggoner, e não é por acaso que nos anos posteriores Ellen White escreve aquela que vem a ser sua mais popular obra, Caminho a Cristo, livro de referência entre os adventistas, que expressa a importância de se entregar a Cristo sem formalismos e afetações” (p. 125-126).
- “Não se cansou Ellen White de escrever elogiosamente sobre os reformadores do passado, citando ela Calvino mais de 40 vezes em sua obra; 80 vezes John e Charles Wesley, especialmente o trabalho deste acerca da santificação pessoal, e enfatizando suas biografias. Jonathan Edwards aparece indiretamente pelo menos uma dúzia de vezes, embora de forma expressa seu nome esteja contido no apêndice da primeira edição do clássico O Grande Conflito. Finalmente, Lutero é mencionado 900 vezes em toda sua obra, já desde a primeira, ainda em 1844 e durante os seus sessenta anos de ministério” (p. 146-147).
- “Ellen White, segundo o acervo divulgado eletronicamente pela sede mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, contendo, em língua inglesa, todas as obras publicadas por ela – com exceção de algumas dezenas de pequenos panfletos –, utilizou o termo santification aproximadamente 1.599 vezes ao longo de sua vida, em obras de referência bíblica e cartas. Já o… termo holiness aparece 2.965 vezes em seus escritos, ora indicando santidade, ora indicando santificação” (p. 155).
- “A tendência altamente escatológica do adventismo está ligada à esperança gloriosa de um futuro eterno, mas muito bem calcada dentre de uma estrita ética capitalista protestante. Aparentemente, há um equilíbrio entre o físico e o metafísico. De qualquer modo, entende a Igreja Adventista que Ellen White foi sua legítima mensageira e profetisa, com o intuito de reafirmar certos preceitos morais que com o passar dos anos foram se afrouxando no meio cristão. Nesse caso, analisando sua obra, percebe-se grande conformidade com o puritanismo […]. Os adventistas do sétimo dia se consideram os modernos remanescentes, ou seja, aqueles que, vivendo no tempo do fim, têm uma mensagem urgente a dar, sendo eles próprios exemplos vivos de obediência moral, ao guardarem os mandamentos e darem o real testemunho de Cristo. A questão e a dinâmica adventista de santificação sem dúvida nenhuma passa por esse processo” (p. 161-162) – Quer saber mais? Leia o livro! – Pr. Heber Toth Armí.

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