

O Apocalipse Siríaco de Daniel com introdução de Marcus Vinicius Ramos, possui 117 páginas. Mas o texto em si é curto: 34 páginas. O resto são comentários católicos de teologia, os quais são fracos, de bagagem jesuíta e superados. O livro é provavelmente do século 7 ou 8 com cópia do século 15.
Somos introduzidos a um texto que ensina o leitor que o chifre pequeno de Daniel 7 é o rei Antioco Epifânico IV, que é um rei grego que sacrificou porcos e colocou imagens de deuses dentro do Templo de Jerusalém. No entanto, o autor Marcus V. Ramos, por desconhecimento, não parece ver que se os cristãos do Império Romano Oriental já entendiam que o Império Romano era a quarta besta de Daniel, o chifre pequeno jamais pode ser um rei grego (pois o chifre pequeno sobe do quarto animal, Roma, e não do terceiro animal, A Grécia). Uma parcela dos protestantes entendem que o chifre pequeno é o papado, pois é o herdeiro do Império Romano ocidental. A introdução infelizmente é superada mas pode enganar quem nunca estudou as profecias da Bíblia. Também fica minha crítica que a introdução de um livro nunca pode ser maior que o livro em si. E nesse caso, a introdução tem 57 páginas contra 34 páginas do texto completo do Apocalipse Siríaco de Daniel. Isso parece doutrinação do leitor, que se depois não se aventurar por outras obras, será obrigado a engolir a interpretação dada na introdução. (Por exemplo, que o anticristo de Daniel 7 é o rei local e desconhecido Antioco Epifânio IV).
O Apocalipse Siríaco de Daniel é um recorte de textos de Apocalipse, Ezequiel e Isaías sobre Deus destruindo as nações que vêm do norte (Gog e Magog). Depois da destruição delas, Cristo estabelece o Reino em Jerusalém (a cidade literal do oriente médio). E por fim o messias ressuscita os mortos para morar ali.
O texto foi escrito por um cristão que não tinha conhecimento do arrebatamento dos santos, do milênio, da ressurreição dos perdidos e da guerra final às portas da nova Jerusalém, quando os perdidos ressuscitados serão aniquilados sofrendo segunda morte. Tudo isso foi esquematizado em obras posteriores como O Grande Conflito de Ellen White (1888).
Portanto, O Apocalipse Siríaco de Daniel é uma obra superada em muitos sentidos com um conhecimento incompleto da Volta de Jesus e dos eventos finais. Algo que não existe na obra é o arrebatamento dos santos conforme descrito em I Tessalonicenses capítulo 4. Assim, o autor medieval do Apocalipse Siríaco de Daniel não sabe que os cristãos vivos e os ressuscitados viverão 1000 anos com Cristo no Reino dos céus e não na Jerusalém literal do oriente médio.
A introdução, que é católica, não abre espaço para o contraditório. É um texto católico interpretando o apocalipse siríaco. Não diz quais são as interpretações das outras fés cristãs. Talvez porque não interessasse dizer. E também não diz quais são os textos da Bíblia que o apocalipse siríaco ignora (por desconhecimento do autor medieval) e do próprio comentarista moderno.
Algo interessante e verdadeiro comentado por Marcus V Ramos é que o Apocalipse Siríaco mostra o medo dos cristãos orientais da invasão muçulmana e árabe que começou no século VII. Como se o anticristo viesse do oriente. É só uma obra cristã sem iluminação ou inspiração sobrenatural.
Observação: a “alta crítica” ou os “teólogos mundanos” consideram um “fenômeno social” o uso por cristãos, na idade média, de nomes de personagens bíblicos (Daniel, Pedro ou Enoque) para escrever obras cristãs. Se algum cristão da idade média pretendeu se passar por personagem bíblico que viveu séculos antes, nada mais é do que um “cristão” mentiroso. A obra como um todo se faz mentirosa pois foi escrito por um mentiroso que se usou de um ardil para conseguir mais leitores. Eu penso que isso já seria o suficiente para condenar tais apócrifos como escritos sem valor. Mas a curiosidade humana (aliada a uma ajudinha de anjos caídos) leva editoras religiosas a traduzir e publicar tais obras que não acrescentam em nada, inventam novas passagens bíblicas e confundem cristãos humildes que mal terminaram o “ensino fundamental” e passam a considerar esses escritos falsos que possuem passagens bobas (estandartes romanos se inclinando sozinhos para Cristo durante o julgamento por Pilatos citado no Evangelho de Nicodemos) como fatos “maravilhosos”, quando na verdade são fatos mentirosos.
Não é imoral escrever essas obras séculos depois e atribuir aos apóstolos? Essas pessoas que mentiram são cristãs? Isso não perde toda a credibilidade da obra? Ananias e Safira não morreram no novo testamento por causa de mentira semelhante?

Deixe um comentário