
O LADO OBSCURO DA IGREJA/ARTIGO ESPECIAL
VATICANO E O IMPÉRIO DE RIQUEZAS – “Precisa saber que, para fazer um santo, para tornar-se beato, é preciso pagar. Sim, desembolsar dinheiro. Os caçadores de milagres custam caro, são advogados, querem centenas de milhares de euros. Tenho provas”, comenta o sacerdote. Os papéis que revelam riquezas, escândalos e segredos do Vaticano relatado pelo jornalista Emiliano Fittipaldi.
*Publicado por Júlio César Prado
Emiliano Fittipaldi é jornalista especializado em assuntos relativos à Igreja Católica, sobre os quais escreve no jornal L’Espresso. Indiciado pela Justiça do Vaticano por “divulgação de notícias e documentos reservados”, sob o risco de pegar até oito anos de prisão, recusou-se a revelar as fontes que o ajudaram na investigação do seu livro “Avarizia”.
“Judas Iscariotes, um dos discípulos, aquele que entregaria Jesus, falou assim: ‘Por que este perfume não foi vendido por trezentos denários para se dar aos pobres’? Falou assim, não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão: ele guardava a bolsa e roubava o que nela se depositava’” (João 12:4-6), assim começa o relato impressionante de um sacerdote ao jornalista Emiliano Fittipaldi.
“Você deveria escrever um livro”, diz o sacerdote ao jornalista Emiliano Fittipaldi. “… Precisa saber que a Fundação Bambin Gesù, criada para receber doações para crianças doentes, pagou parte da reforma da nova casa do cardeal Tarcisio Bertone. … O Vaticano tem casas em Roma que valem 4 bilhões de euros. Isso mesmo. E dentro não há refugiados, como queria o papa, mas um monte de protegidos e de vips que pagam um aluguel ridículo”.
“… as fundações designadas a Ratzinger e a Wojtyla receberam tanto dinheiro que ainda mantêm no banco mais de 15 milhões. Precisa saber que as doações que seus fiéis fazem todo ano por meio do Óbolo de São Pedro não são destinadas aos mais pobres, mas acumuladas em contas e aplicações que hoje somam quase 400 milhões de euros. … quando pegam qualquer coisa do Óbolo, os monsenhores o fazem para as exigências da Cúria Romana”.
“Precisa saber que o IOR (Instituto para as Obras de Religião) tem quatro fundos beneficentes, avaros como Harpagão: embora essa instituição vaticana tenha ganhos de dezenas de milhões, o fundo para obras missionárias concedeu este ano míseros 17 mil euros. Para o mundo todo! Precisa saber que o IOR ainda não foi saneado e que dentro do ‘torrione’ escondem-se ainda clientes abusivos, gentalha processada na Itália por delitos graves. Precisa saber que o Vaticano nunca forneceu aos seus investigadores do Banca d’Itália a lista daqueles que fugiram com o botim para o exterior. Apesar de termos prometido isso. Precisa saber que, para fazer um santo, para tornar-se beato, é preciso pagar. Sim, desembolsar dinheiro. Os caçadores de milagres custam caro, são advogados, querem centenas de milhares de euros. Tenho provas”, comenta o sacerdote ao jornalista.
“Precisa saber que o homem que ele mesmo escolheu para normalizar nossas finanças, o cardeal George Pell, terminou citado na Austrália em uma investigação do governo sobre pedofilia, que ele é definido por algumas testemunhas como ‘sociopata’ e que na Itália ninguém escreve nada a respeito disso. Precisa saber que Pell gastou com ele e seus amigos, entre pagamentos de despesas e roupas sob medida, meio milhão de euros em seis meses”.
“… precisa saber que a empresa norte-americana de auditoria que um de nós convocou para controlar as contas do Vaticano pagou em setembro de 2015 uma multa de 15 milhões por ter maquiado os relatórios de um banco inglês que fazia transações ilegais no Irã. Precisa saber que a Santa Sé, para ganhar mais dinheiro, distribuiu cupons especiais por meia Roma: hoje vendemos combustível, cigarros e roupas ‘tax free’, e ganhamos com isso 60 milhões por ano”, relata o sacerdote.
“Precisa saber que não é só Bertone que mora em trezentos metros quadrados, mas que há um monte de cardeais que moram em apartamentos de quatrocentos, quinhentos, seiscentos metros quadrados. Além de ático e terraço panorâmico. Precisa saber que o presidente da Apsa (Administração do Patrimônio da Sede Apostólica), Domenico Calcagno, mandou construir para si um bom refúgio em área verde, de propriedade da Santa Sé, por meio de uma empresa de fachada aberta em nome de parentes distantes”.
“… precisa saber que o moralizador Carlo Maria Viganò, o herói que protagonizou o escândalo ‘Vatileaks’, está em litígio com o irmão sacerdote, que o acusa de ter-lhe fraudado milhões de uma herança. Precisa saber que Bertone pagou um helicóptero que custou 24 mil euros para ir a Roma a Basilicata. Precisa saber que a Bambin Gesù controla no IOR um patrimônio absurdo de 427 milhões de euros, e que o Vaticano investiu também em ações da Exxon e da Dow Chemical, multinacionais que poluem e envenenam”.
“… precisa saber que o hospital do Padre Pio é proprietário de 37 edifícios e outros imóveis, num valor estimado em 190 milhões de euros. Precisa saber que os salesianos investem em empresas de Luxemburgo, os franciscanos na Suíça, que dioceses no exterior compraram empresas donas de canais pornográficos de TV. Precisa saber que um bispo na Alemanha torrou 31 milhões para reformar sua residência, e que depois que isso foi descoberto ainda conseguiu promoção para um cargo em Roma…” relata o sacerdote ao jornalista Emiliano Fittipaldi.
Jesus declarou: “Se vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece”(João 15:19). Mas, parece que este não é o caso da Igreja de Roma pois os papas construíram ao longo dos séculos o maior império do mundo em riquezas, propriedades e influência. Os papas têm reivindicado o domínio sobre o mundo inteiro. A bula papal do Papa Gregório XI de 1372 (In Coena Domini) reivindicou o domínio papal sobre todo o mundo cristão, secular e religioso, e excomungou todos os que falharam em obedecer os papas e pagar as taxas. In Coena foi confirmada por subsequentes papas e em 1568 o Papa Pio V jurou que ela deveria permanecer como uma lei eterna (Dave Hunt, A Woman Rides the Beast, pág. 70).
O papa vive na luxúria com muitos servos num enorme palácio na Cidade do Vaticano enquanto Jesus, quando esteve aqui na terra, “não tinha onde reclinar a cabeça” (Mateus 8:20). Jesus disse que o seu reino não era desse mundo, mas os papas construíram um verdadeiro império de riquezas nesta terra.
“E o anjo me disse: Por que te admiras? Eu te direi o mistério da mulher (igreja), e da besta que a traz, a qual tem sete cabeças e dez cornos. A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na Terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo), se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá” (Apocalipse 17:7-9).
Esta besta, João a viu subir do abismo. Ali Satanás, o príncipe deste mundo, o dragão, a antiga serpente, tem seu trono (2 Pedro 2:4; Apocalipse 9:11).
Na foto, o jornalista italiano Emiliano Fittipaldi com seu livro “Avareza” em Roma (Foto: Divulgação).
*Júlio César Prado é jornalista

Deixe um comentário