
OS ADVENTISTAS E O SANTUÁRIO – “O Teu caminho, ó Deus, é de santidade” (Salmos 77:13).
*Publicado por Júlio César Prado
De acordo com autoridades judaicas e protestantes, Deus apresentou a Moisés uma miniatura do santuário celestial.
Ellen G. White escritora norte-americana confirma que “o Santuário do Céu, no qual Jesus ministra em nosso favor, é o grande original, de que o santuário construído por Moisés foi uma cópia” (O Grande Conflito, pág. 414).
O objetivo de Deus em dar ao homem uma cópia do Seu Santuário no Céu foi salientar a beleza do Seu divino propósito de salvar o homem e como salvá-lo. Daí todo aquele ritual cheio de simbolismos até que viesse o Cordeiro real e morresse uma vez por todas e por todos nós. Tudo no santuário terrestre apontava a Cristo na cruz, que viria para cumprir o maravilhoso plano de salvação, ainda que em meio a um grande e terrível conflito com Lúcifer. Todo o santuário terrestre era santo, como todo ele é santo no Céu, porque eles foram originados na mente santa de Deus. O Santuário do Céu é nosso caminho para Deus, pois ali está o Seu trono e ali está o nosso Salvador Intercessor, Mediador, Juiz e Advogado e também nosso Sumo Sacerdote.
Como os adventistas descobriram isto nas Escrituras?
Depois do desapontamento millerita em 22 de outubro de 1844 nos Estados Unidos, os 100.000 adventistas se dividiram em vários grupos. Um destes, o menor de todos, foi o único que começou a investigar a razão do desapontamento. Na manhã seguinte Hirã Edson e mais alguns outros adventistas se juntaram em Port Gibson (Nova York) e com fervente orações pediram orientação divina sobre a razão daquele terrível desapontamento. Oraram até sentirem que o Espírito Santo lhes mostraria o que estava errado. Saíram para confortar outros desapontados e preferiram cruzar os campos de plantação de milho para evitar as zombarias dos descrentes.
Então Edson conta: “Parei na metade do campo. O céu pareceu abrir-se diante de mim e eu vi distinta e claramente que em vez de nosso Sumo Sacerdote sair do Santíssimo do santuário celestial para vir a Terra no dia 10 do sétimo mês (Yom Kippur), no fim dos 2.300 dias (de Daniel 8:14), Ele pela primeira vez entrou no segundo compartimento do santuário; e que Ele tinha uma obra a fazer no Santíssimo antes de vir à Terra… Minha mente foi dirigida ao capítulo 10 de Apocalipse” (Adventist Review, vol.6, número 37, pág. 6).
Mais tarde Ellen G. White escreveu: “O assunto do Santuário foi à chave que desvendou o mistério do desapontamento de 1844. Revelou um conjunto completo de verdades… mostrando que a mão de Deus dirigira o grande movimento do advento” (O Grande Conflito, pág. 423).
O desapontamento por que passaram os que criam na volta de Jesus em 1844, tinha sido previsto pelas profecias concernentes a essas experiências amargas. São descritas no capítulo 10 do Apocalipse: “E vi outro anjo forte”, lemos aí, “que descia do céu, vestido de uma nuvem; e por cima da sua cabeça estava o arco celeste; e o seu rosto era como o Sol, e os seus pés como colunas de fogo; e tinha na sua mão um livrinho aberto, e pôs o seu pé direito sobre o mar e o esquerdo sobre a Terra” (Apocalipse 10:1 e 2).
O fato de ter João visto um livro “aberto” nas mãos do anjo, indica tratar-se de um livro fechado, que deveria reter seu selo até o tempo de sua abertura. Fala-se evidentemente do livro da profecia de Daniel, pois a Bíblia não menciona nenhum outro livro selado. “E tu, Daniel”, foi-lhe dito, “fecha esta palavra e sela este livro, até ao tempo do fim” (Daniel 12:4).
No “tempo do fim” esse livro seria aberto. Deus iluminaria a mente dos Seus servos para que pudessem compreender seu conteúdo e divulga-lo, em forma de advertência ao mundo. Isso começou a ter cumprimento pleno e pormenorizado na obra de Guilherme Miller e seus companheiros de 1840 a 1844. O ter o anjo posto um pé sobre a Terra e o outro sobre o mar, simboliza o vasto alcance da mensagem que deveriam pregar.
“E a voz que eu do céu tinha ouvido tornou a falar comigo, e disse: Vai, e toma o livrinho aberto da mão do anjo que está em pé sobre o mar e sobre a Terra. E fui ao anjo, dizendo-lhe: Dá-me o livrinho. E ele disse-me: Toma-o, e come-o, e ele fará amargo o teu ventre, mas na tua boca será doce como o mel. E tomei o livrinho da mão do anjo, e comi-o; e na minha boca era doce como o mel, e, havendo-o comido, o meu ventre ficou amargo” (Apocalipse 10:8-10).
Em Apocalipse 10:1, o anjo representa os crentes do advento a pregar, no tempo do fim, a mensagem do livro de Daniel, cujo selo seria então removido. Nos versos 8 a 10, João representa os mesmos crentes a passar por uma experiência amarga – um desapontamento. São usados dois personagens (o anjo e o apóstolo) para representar dois aspectos da obra e experiência dos que criam na breve volta do Senhor, assim como o cordeiro e o sacerdote, no culto típico de Israel, simbolizavam dois aspectos da obra de Cristo.
Biblicamente, comer um livro significa examiná-lo (Ezequiel 3:1-3; Jeremias 15:16). Miller e seus companheiros examinaram o livro de Daniel, uma vez tirado seu selo, e muito se alegraram com as verdades ali reveladas. E para todos os que receberam as confortadoras novas da breve volta de Jesus, as mesmas eram motivo de grande gozo e alegria. Foi de fato melíflua a doçura proporcionada pelo conteúdo do livro da profecia de Daniel, aberto no tempo do fim. Mas o amargor não tardou em vir. Passou o tempo em que esperavam a volta do Senhor, a saber, em 1844, e Ele não veio. Ficaram desapontados. O doce tornou-se-lhes amargo.
Mas os que suportaram o processo digestivo, por assim dizer, continuaram a investigar o assunto, a ver onde haviam falhado. Viram, então, que o Senhor não voltaria antes que proclamassem Sua vinda em todo o mundo. “E ele (o anjo) disse-me: Importa (povo do advento) que profetizes outra vez a muitos povos, e nações, e línguas e reis” (Apocalipse 10:11) (Foto/Ilustração: Divulgação).
*Júlio César Prado é jornalista

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