ISLAMISMO: GUERRA EM NOME DE DEUS

BÍBLIA X ALCORÃO – Aos gritos de Allahu Akbar (“Alá é grande!”, em árabe) e armado com uma faca, o tunisiano Brahim Aouissaoui, 21 anos, invadiu a Basílica de Notre-Dame, em Nice (sul), por volta das 9h (5h em Brasília). Perto da pia decapitou uma idosa que rezava no local. Também degolou o sacristão do templo, Vincent Locques, 45 anos, casado e pai de dois filhos. A brasileira Simone Barreto Silva, 45, mãe de três filhos, ficou ferida gravemente e tentou se refugiar em uma cafeteria próxima, onde morreu.
*Publicado por Júlio César Prado
O triplo assassinato de ontem também coincide com o julgamento de cúmplices da carnificina na redação do semanário satírico — em 7 de janeiro de 2015, os irmãos franceses Amedy e Chérif Kouachi invadiram a sede do Charlie e executaram quatro jornalistas, quatro cartunistas, dois policiais, um visitante e a recepcionista do prédio. Em 14 de julho de 2016, Nice foi alvo de um massacre perpetrado pelo também tunisiano Mohammed Lahouajej Bouhlel. Ele usou um caminhão para atropelar e matar 86 pessoas, além de ferir cerca de 300 (Com Informações CB/D.A Press).
Que sentimento, além do ódio, está por trás de atos como esse? Qual é o papel da religião na história das guerras? Qual é a lógica da intolerância? O que podemos esperar no futuro?
Para o fundamentalismo islâmico, Israel é visto como o “pequeno Satã”, apoiado pelos Estados Unidos, o “grande Satã”. Esse é um fator importante que não deve ser descartado, para entendermos porque eles carregam tanto ódio no coração, pois a presença de Israel no coração do Oriente Médio simboliza um obstáculo à hegemonia islâmica na área.
Alguns aplicam aos atentados terroristas a tese de Samuel P. Huntington de que o mundo está ameaçado por um choque de civilizações. Huntington, professor na Universidade de Harvard, aposta que “os principais conflitos globais ocorrerão entre nações e grupos de diferentes civilizações”. De um lado, no caso, estaria a civilização islâmica, baseada no Alcorão, e do outro, a civilização cristã, baseada na Bíblia. Na tentativa de recuperar a glória islâmica do passado e enraizados na dicotomia entre o mundo do Islã (Dar al-Islam) e o mundo da heresia (Dar al-Harb), os muçulmanos radicais protestam contra o poderio, o modo de vida e a espiritualidade ocidentais.
Tem-se dito que o islamismo em si é pacífico, e que os terroristas que praticam o mal em nome de Allah traem a sua fé e blasfemam o nome de Allah. Mas a verdade é que o Islã não é homogêneo. Não deve ser “demonizado”, mas também não pode ser “angelizado”. No Islã, há gente boa e má, acertos e erros – assim como no cristianismo. No momento, o nome genérico do problema é fundamentalismo.
Iniciada pelo profeta Maomé (570-632) no século 17, a fé islâmica se espalhou da Península Arábica para o mundo e hoje tem cerca de 1,3 bilhão de adeptos. Última das três grandes religiões monoteístas, o islamismo (do árabe Islam, “submissão a Deus”) não é beligerante por natureza. Mas, dentro de uma massa tão grande de fiéis, surgem os extremistas. Além disso, a mentalidade islâmica tende a associar religião com política, o que quase sempre gera intolerância.
O Islã tem um problema para resolver. Como disse o escritor israelense Amos Oz, “uma onda de fanatismo religioso e nacionalista está crescendo por todo o mundo islâmico”. É esse fanatismo que tem projetado a imagem do islamismo no mundo. Afinal, uma cena concreta de terrorismo é mais visível do que um conceito abstrato do Alcorão.
José Saramago parece ter ido quase ao centro da questão no ensaio “O fator Deus”, publicado pela Folha de S. Paulo. Para o premiado escritor português, “em nome de Deus é que se tem permitido e justificado tudo, principalmente o pior, principalmente o mais horrendo e cruel”. O genial filósofo francês Blaise Pascal assinaria embaixo, pois séculos antes afirmou que as pessoas nunca odeiam com ódio tão mortal como quando odeiam por motivos religiosos. Embora a análise de Saramago seja condicionada por seu ateísmo e precise de reparos, a ideia básica é correta. Desde que Caim matou Abel, na tentativa de impor o seu próprio estilo de culto, as mortes em nome de Deus não cessaram mais.
Em geral, a lógica perversa do ódio religioso funciona a partir de uma falsa premissa. Essa lógica diz que, se um grupo que adora Yahweh, Allah ou Deus tem a verdade, outro grupo que adora um deus com outro nome, ou seguindo um ritual diferente, não pode ter a verdade. Se não tem a verdade, é inimigo. Se é inimigo, merece morrer. Isso funcionou com o antigo Israel, na época da conquista de Canaã; funcionou como o cristianismo de Roma, na época da Inquisição; e funciona com os grupos mais radicais do islamismo, no início deste século 21.
CONFRONTO ALCORÃO X BÍBLIA
O advento do Corão ou Alcorão foi organizado por Zeid Ben Tsabit, em 657, 25 anos depois da morte do profeta. A palavra Corão significa “leitura”. Segundo os árabes, a primeira edição está no Céu. Embora tenha sido publicado após a sua morte, afirma-se que fora ditado pelo arcanjo Gabriel a Maomé, desde as primeiras visões que recebera. Está distribuído em 114 capítulos, Suras e trinta sessões. O Alcorão ocupa, no Islã, a mesma posição que ocupa a Bíblia no mundo cristão. Vamos fazer um confronto entre a Bíblia e o Alcorão.
1) O Corão foi escrito por Zeid Ben Tsabit, a mando do Califa Abu Baker; a Bíblia foi escrita por homens e mulheres santos de Deus, inspirados pelo Espírito Santo (II Pedro 1:20 e 21).
2) O Corão não menciona o sagrado decálogo, a Lei de Deus, que será a norma do juízo final, inclusive para o Islã; a Bíblia a exalta, desde o Gênesis ao Apocalipse.
3) O Corão nega a morte vicária de Jesus (Sura IV); a Bíblia alude ao auspicioso fato em todos os seus livros.
4) O Corão afirma que Jesus foi o Filho adotivo de Deus e nega-lhe a divindade (Sura III); a Bíblia prova a divindade e deidade de Cristo (Mateus 16:16).
5) O Corão nega a morte expiatória de Cristo (Sura IV); a Bíblia prova (Hebreus 2:17).
6) O Corão defende que a Trindade é constituída por Deus, Maria e Jesus (Sura IV); a Bíblia afirma que a Trindade é formada por Deus, o Pai, Deus, o Filho, Deus, o Espírito Santo (Atos 5:3 e 4).
7) O Corão prega que o mundo porvir haverá sensualidade: os remidos, como recompensa, terão a companhia eterna de belas e sensuais mulheres (Sura II); a Bíblia assegura que no mundo porvir não haverá sensualidade e nem casamento (Mateus 22:29 e 30).
8) Na sociedade islâmica, a mulher não passa de uma escrava do homem, e um simples objeto de reprodução. Segundo o Corão, “os homens têm autoridade sobre as mulheres, em virtude da preferência que Alá concede a eles e por causa das despesas que fazem, no sentido de assegurar a manutenção”; a Bíblia elimina qualquer tipo de superioridade entre homens e mulheres.
9) O Corão afirma que a queda de Adão e Eva não foi fruto do pecado, e sim um erro de julgamento; a Bíblia diz que foi fruto da condescendência com o pecado (Romanos 5:12).
10) O Corão afirma que o homem ao morrer vai direto para o Paraíso (Sura IV); a Bíblia diz que, mesmo os fiéis que morrem, ficam na sepultura, aguardando o dia final (I Tessalonicenses 4:15-17).
11) O Corão manda matar os que não obedecem a Alá (Sura IX); a Bíblia diz que Deus é misericordioso para com os ímpios (Atos 17:30 e 31).
12) O Corão declara que este mundo foi criado em dois dias (Sura XLI); a Bíblia diz que foi criado em seis dias (Gênesis 1 e 2).
13) O Corão assevera que o ser humano foi criado de um “coágulo de sangue” e de uma “gota” de esperma (Em várias Suras), a Bíblia diz que o homem foi criado do pó da terra (Gênesis 2:7).
14) O Corão afirma que Deus pediu o sacrifício de Ismael, e não de Isaque; a Bíblia prova que Deus pediu o sacrifício de Isaque (Gênesis 22:2).
15) O Corão afirma que Maomé foi o último e o maior dos profetas (Sura XX-XIII); a Bíblia não delimita qual o último profeta.
16) O Corão ensina que o anjo Gabriel e inimigo dos judeus (Sura II); na Bíblia verificamos que o anjo Gabriel veio à Terra muitas vezes a serviço dos judeus (Daniel 9:21-27; Lucas 1:19 e 26).
17) O Corão não tem predições proféticas; um dos pontos salientes da Bíblia são suas predições e cumprimento proféticos.
Na foto, bandeiras francesas, retrato e imagens de Macron foram queimadas em protesto em todo o mundo Islâmico (Foto: Divulgação).
*Júlio César Prado é jornalista e escritor

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