VERSOS SATÂNICOS

HÁ 31 ANOS, SALMAN RUSHDIE RECEBIA ‘SENTENÇA DE MORTE’ ISLÂMICA – A partir do Irã, aiatolá Khomeini condenou em 1989 o escritor indo-britânico pelo supostamente blasfemo “Os Versos Satânicos” .Cabeça de Salman Rushdie agora vale US$ 3,3 milhões.

*Publicado por Júlio César Prado

Em 14 de fevereiro de 1989, o aiatolá Ruhollah Khomeini, então líder religioso do Irã, promulgou uma fatwa (édito religioso muçulmano) exigindo a morte do autor indo-britânico Salman Rushdie, alegando que seu romance Os versos satânicos continha blasfêmias contra o profeta do islã, Maomé.

O título do livro se refere a um conjunto de versos supostamente excluídos do Alcorão. Neles, o profeta Maomé solicitaria a intercessão de três deusas pagãs de Meca. Segundo a lenda, esses versos foram eliminados do livro sagrado por não estarem de acordo com o monoteísmo do islã.

Os versos satânicos desencadeou violência em várias partes do mundo, sendo banido em países como Índia, Bangladesh, Indonésia e Paquistão. Profissionais associados a sua publicação e tradução sofreram atentados. Durante 13 anos, Rushdie teve sua liberdade pessoal seriamente cerceada e foi forçado a viver sob proteção policial e trocando constantemente de endereço.

O profeta Maomé (570-632), nasceu na cidade de Meca e morreu em Medina. Pertencia ao clã Coneishita, que administrava a Caaba, o santuário da pedra sagrada; hoje, lugar de culto e veneração de milhões de muçulmanos. Com dois anos de idade, tornou-se órfão de seu pai, Abdullah, e com seis anos, perdeu sua mãe, Amina. A partir de então passou a morar com seu tio, Abu Talibe. Como era “persona non grata”, por motivo de seu comportamento, foi-lhe negado o direito de aprender a ler. Aos 25 anos, tornou-se tropeiro das ricas caravanas de sua tia Cadija, viúva de 43 anos, com quem se casou. Logo assumiu os negócios da esposa, tornando-se influente em toda a Arábia. Como o país passava por um caos governamental, fez-se estadista.

Um dia, rico e ocioso dado à meditação transcendental, recebeu uma visão do arcanjo Gabriel, dando-lhe a seguinte mensagem: “Em nome de teu Senhor, que criou o homem de um ‘coágulo de sangue’, recita: O Senhor é o mais generoso que mostrou a pena… Ensinou ao homem o que não sabia…” Depressa desceu do monte Hira e contou a visão à esposa, que se transformou na primeira alma convertida à nova fé. Em tresloucado entusiasmo, Maomé passou a gritar pelos caminhos e ruas da cidade: “La ilsha ella Allah Mohamed ressul Allah” (só Alá é Deus e Maomé o seu profeta). Entretanto, como seu povo estava mergulhado no politeísmo (adorava algo como 360 deuses), não aceitou aquela religião monoteísta e acabou expulsando o profeta, o qual fugiu para Medina.

De passagem pela localidade de Yatrib, recebeu visões do anjo Gabriel, desta vez, sobre como catequisar o povo para o seu movimento: “A espada é a chave do Paraíso. Uma gota de sangue vertida pela causa de Alá, em guerra durante uma noite, vale mais que dois meses de jejum. Qualquer que caia no campo de guerra tem seus pecados perdoados. Alá não ama os transgressores. Matai-os onde quer que os encontrardes”. Mais tarde, o Corão vem com esta incisiva instrução: “Ó vós, verdadeiros crentes! Não vos torneis amigos de judeus ou cristãos! Matai os idólatras onde quer que se encontrem, levai-os prisioneiros, cercai-os, armai-lhes emboscadas. Quando encontrastes incrédulos, cortai-lhes a cabeça, fazei um banho de sangue”.

O ambicioso lema muçulmano: “O mundo para o Islã”, a despeito de representar uma ameaça, não triunfará sobre o puro e sincero cristianismo. Em Apocalipse 19:11-21, temos a deslumbrante descrição da vitória do Fundador da igreja cristã sobre seus antagônicos e falsos profetas (Foto: Divulgação).

*Júlio César Prado é jornalista

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