
Responder os dois dias de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma maratona. O estudante precisa de resistência física para encarar quatro horas e meia de avaliação em um dia e cinco horas e meia no outro. Para 69.396 candidatos em todo o País, o esforço é ainda maior. São os sabatistas, pessoas que por questões religiosas guardam o sábado. Do pôr do sol da sexta-feira até o pôr do sol do dia seguinte eles estão liberados apenas para adoração e serviços voltadas para suas crenças. Mas como os demais participantes do exame, terão que chegar até o meio-dia (no horário de Pernambuco).
O Enem vai acontecer no próximo fim de semana. Os sabatistas só começarão os testes às 18h. Se usarem todo o tempo destinado à avaliação ficarão reclusos por 10h30. Poderão sair a partir das 20h, com aplicação dos testes até 22h30. “No aspecto físico pode ser mais cansativo sim, pois vamos ficar muito tempo esperando para fazer as provas. Mas me preparei como os outros candidatos que não são sabatistas. A diferença é o horário. Estou tranquila e confiante”, diz a estudante adventista Sulamita Wagner, 17 anos, aluna da Escola Adventista do Recife, localizada na Boa Vista, área central do Recife.
Aluno da mesma escola, Esdras Miguel Gondim, 16, é filho de um pastor adventista. “Está na bíblia que no sétimo dia de criação Deus descansou e que o sábado é um dia santo. O quarto mandamento da Lei de Deus também reforça que devemos nos dedicar a orações e ao trabalho da igreja nesse dia”, comenta Esdras, que fará o Enem em uma das salas da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), na Boa Vista.
Além dos adventistas, há grupos de judeus, batistas e mulçumanos que são sabatistas. “Na bíblia o dia começa com o pôr do sol. A primeira parte do dia é a escura, sem o sol, e a segunda é a clara, com o sol. Por isso do entardecer da sexta-feira até o entardecer do sábado os adventistas se concentram em adoração e serviços a Deus”, explica a professora de religião da Escola Adventista, Verônica Coutinho.
Enquanto não começam as provas do Enem, os candidatos ficam confinados nas salas de realização da avaliação. Como passam muito tempo no local, a maioria leva lanche e bebida. Esdras e Sulamita, como boa parte dos colegas, também estarão com a bíblia para ler durante o período em que ficarão ociosos.
RELÓGIO – Independentemente de ser sabatista, os candidatos que farão o Enem não podem descuidar do tempo destinado a resolução das questões. Com enunciados extensos e que exigem interpretação, os estudantes têm em média três minutos para cada quesito. “O tempo das provas é o que mais me preocupa. Não acho o exame difícil. Mas receio me atrapalhar por causa da pressa em fazer logo as provas”, diz Gustavo Maranhão, 17, aluno do Colégio Santa Maria, que fica em Boa Viagem, Zona Sul do Recife.
O coordenador do ensino médio da escola, Rodrigo Martins, sugere que o vestibulando comece pelas disciplinas que tem mais facilidade. “O melhor é marcar o gabarito no final, para não perder tempo”, ressalta Rodrigo. A recomendação é que o candidato destine meia hora para assinalar o cartão de resposta, lembrando de preencher bem cada alvéolo para facilitar a leitura ótica, durante a correção. FONTE

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