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Estudo publicado na segunda-feira (4/3/2013) no “European Journal of Public Health” mostra que, em 2009, 49 mil pessoas morreram na França em decorrência de doenças ligadas ao álcool.

A alarmante constatação, feita por quatro epidemiologistas do Instituto Gustave Roussy, é clara: os franceses bebem demais.

O problema afeta mais os homens, que correspondem a 74,5% das mortes. “Embora o cigarro continue sendo a principal causa de mortalidade prematura (entre 15 e 34 anos de idade), com 73 mil casos em 2009, o álcool chega em segundo lugar”, alerta Catherine Hill, epidemiologista que codirigiu o estudo. “Quase um quarto (22%) das mortes prematuras se deve a um consumo excessivo de álcool.” Desses 49 mil mortos, 40% tinham menos de 65 anos.

As principais consequências mortais desses excessos são câncer de fígado, de cólon, de esôfago, de faringe e de mama. Mais de 15 mil franceses morreram dessa forma em 2009. A esse número se somam as 12 mil mortes causadas por problemas cardiovasculares, e 8.000 por doenças digestivas.

“Essas 49 mil pessoas não representam somente os bebedores excessivos. O problema é que, na França, o cidadão médio bebe demais. É um problema de saúde pública”, alerta Hill. Em 2009, um francês bebia em média 27 gramas de álcool puro por dia, bem acima do limite de 13 gramas que o estudo recomenda não ultrapassar. “Dez gramas de álcool puro correspondem a 250 mililitros de cerveja, 60 mililitros de vinho do porto ou 30 mililitros de uísque”, afirma a epidemiologista.

Embora o relatório condene o excesso de álcool e recomende a diminuição de seu consumo, ele reconhece algumas de suas virtudes. “Segundo um estudo inglês, consumir 5 gramas de álcool por dia, ou seja, meia taça, pode ter efeitos protetores contra determinados riscos, sobretudo vasculares”, diz a pesquisadora.

Apesar de o consumo ter caído pela metade nos últimos 50 anos, a porcentagem de mortes entre os homens continua sendo maior na França, onde ela chega a 13%, do que na Itália (3%) ou na Dinamarca (1%).

Segundo Jean-Pierre Couteron, presidente da Fédération Addiction, essa especificidade francesa se deve a uma “tolerância histórica em relação ao álcool” e ao desconhecimento dos problemas gerados por um consumo excessivo. “A surpresa causada por esses números mostra como a alcoolização cotidiana é pouco reconhecida e acaba com o tabu de uma forma comum de alcoolismo que não passa necessariamente pela embriaguez”, ele constata.

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