Num momento de forte perturbação interna – antecipando um pouco do muito que poderá estar por chegar – que se tem sentido na Igreja, foi-me amavelmente cedido um livro publicado pelo Amazing Facts que elabora seriamente à volta da questão da ordenação de mulheres:“Daughters of the Inheritance” (Filhas da Herança), do Pr. Wellesley Muir.

Ao longo dos últimos meses, tenho procurado perceber da melhor maneira possível a visão e os argumentos dos dois lados da questão. Isso tem sido bastante fácil, devido ao crescente volume de informação disponível sobre o assunto.

Ao consultar frequentemente websites que, dizendo-se adventistas, se dedicam quase que exclusivamente a apresentar aquilo que é alternativo à prática da Igreja, fiquei por dentro dos conteúdos e métodos dos que são favoráveis à ordenação sem exclusão de género. Assistir na íntegra à sessão especial na qual a Pacific Union Conference votou pela aprovação da ordenação nessas condições, esclareceu-me imenso, arriscaria dizer definitivamente.

Por outro lado, também tenho lido alguns artigos dos proponentes contra a ordenação de mulheres, e tenho-me revisto na esmagadoramente maior qualidade dos argumentos bíblicos usados.

Assim, ao receber o título “Daughters of the Inheritance”, julguei que estava perante um trabalho que iria, tão-somente, defender a visão contra nesta questão. Enganei-me

Fiquei agradavelmente espantado ao constatar que o Pr. Muir (entretanto falecido) vai muito mais além do que inicialmente pensei; o livro trata não apenas da ordenação de mulheresconforme a Bíblia e a Igreja Adventista o entende, mas aborda a questão de forma bem mais alargada: a visão divina sobre a família, a mulher e seus papéis; mulheres em postos de liderança, segundo a Bíblia; uma visão histórica bem ampla que inclui a abordagem que outras religiões cristãs, e não apenas as protestantes, fazem do assunto; o contraditório aos argumentos usados pelos defensores da ordenação sem objeção de género; e, adenúncia, clara e objetiva, de influências sociais e culturais nocivas que acabaram porconduzir a este (quase) estado de sítio

Um ponto há que não poderei deixar de destacar: em todo o arrazoado, o Pr. Muirfundamenta-se na Bíblia. Algo raro de ver em algumas análises que já passaram pelas minhas mãos…

Não conseguirei, em poucos parágrafos, expor de forma definitiva todas as conclusões que o livro apresenta – para isso é que foi publicado! Mas, tentarei suscitar o interesse pelos pontos mais relevantes que nele são apresentados. E se porventura algum leitor menos avisado se chocar, fará o favor de ler o livro. E contestá-lo, se for capaz.

Por falar em choque, foi talvez assim que fiquei quando me apercebi pelas explicações do livro que, neste momento, a única grande e relevante denominação cristã que aindaresiste a essa mundana vaga de feminismo (sim, isso mesmo; por isso sugeri a leitura do livro antes de ficar com a sensibilidade antecipadamente abalada…) que do mundo corrupto se introduziu nas igrejas, principalmente a partir de meados do século passado, é justamente a Igreja Católica Romana! Todas as protestantes têm vindo a ceder, lentamente, à pressão de um pensamento sociocultural que cada vez mais dispensa a Bíblia.

E por falarmos em tendência e percurso históricos, cabe dizer que após as constantes vitórias dos movimentos feministas quanto à posição de mulheres na liderança, logo seguida, no âmbito eclesiástico, de ordenação ministerial, um outro campo de batalha se abre de imediato, como já se pode facilmente constatar: a aceitação e, claro está, ordenação de homossexuais ao ministério pastoral.

Aqui nem precisamos de explicar; é só ver o que sucede em várias denominações. Mas fica bem claro que uma coisa não pode dispensar a outra – os argumentos manifestados para ordenação de mulheres são facilmente adaptáveis à aceitação e ordenação de homossexuais… Tem dúvidas? Veja que também é a Igreja Católica que não aceita homossexuais, nem sequer para membros

Infelizmente, para as tais Igrejas protestantes, o tema só começa a preocupar quando se percebe o declínio que é encetado com o assumir destas posições. Um perigo do qual Deus nos livre!

Outra questão relevante e paralela, é como o espiritualismo moderno está ligado à emancipação da mulher, supostamente vantajosa até para a sociedade. Moderna, isto é; pois o mesmo movimento propõe-se acabar com o conceito de família conforme estabelecido por Deus. E sim, o livro inclui citações bem claras de esforçados e dedicados ativistasque claramente definem este desígnio como fundamental para a, assim chamada, libertação da mulher. Objetivo final? O “fim da instituição do casamento” – este trecho entre aspas é uma citação direta de “The Document: A Declaration of Feminism” (O Documento: Uma Declaração de Feminismo)…

Além da implicação da homossexualidade, são estes mesmos movimentos libertários que deram origem a causas como aborto e sexualidade livre. O que, sem dúvida, ajuda a perceber melhor as motivações.

Já agora, para esclarecimento: feminismo é colocar a mulher numa posição que Deus não lhe deu, é deturpar a função para a qual foi criada; feminismo não é atribuir à mulher o seu real valor – isso já está inerente ao simples facto dela ser mulher.

Ao mesmo tempo que menciona mais de uma dúzia de funções que a mulher pode e deve desempenhar no ministério – isto para deitar por terra aqueles pobres e rudimentares argumentos de que os que se opõem à ordenação de mulheres querem é a mulher remetida à casa, trancada a sete chaves e sob uma subserviência hostil exigida pelo marido –, o Pr. Muir deixa bem claro que toda a sua exposição olha para a mulher como líder, não apenas como “pastora”.

Muitas mulheres bíblicas são usadas como exemplo de fiéis e dedicadas servas de Deus, mas nunca na posição de liderança ordenada. E não foram desvalorizadas nem rebaixadas por isso, bem pelo contrário. O Pr. Muir até faz a pergunta: “será que Deus é sexista?“, ao constatar que Ele nunca designou mulheres para essas posições.

São mencionados também alguns motivos de reflexão, como por exemplo o facto de nas nações pagãs da Bíblia, normalmente, haverem sacerdotisas que oficiavam nos templos, ao contrário do que sucedia com o povo israelita. (A propósito, pense nisto: já pensou que a maioria do bruxos, feiticeiros, médium, etc., são mulheres…?)

Por fim, e apesar do muito que fica por dizer, um pormenor interessante: o Pr. Muir teve duas filhas que, mesmo antes do seu pai estudar o assunto em profundidade e compor este livro,recusaram ser colocadas em lugares de liderança na igreja. E, o Pr. Muir testemunha, sãofelicíssimas ao lado dos seus maridosnão se sentindo minimamente diminuídas por terem percebido qual é o lugar que Deus lhes destinou.

No fundo, e agora é a minha conclusão, diminuir a mulher é retirá-la do papel, funções e lugares para os quais o Criador a trouxe à vida; enobrecê-la é mantê-la justamente nesse padrão perfeito: o propósito de Deus.

Fonte: O TEMPO FINAL

OBS: Embora o autor da matéria diga que a Igreja Católica continua recusando ordenar padres gays, na realidade ela está recusando ordenar os assumidamente gays, não os discretos, que são ordenados todos os dias. Em certas partes do Brasil 80% dos padres são gays.

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