
Adepta da campanha iniciada por israelenses contrários ao ataque: “Iranianos, nós amamos vocês”.
Finalmente uma notícia refrescante no meio da fogueira de ameaças e profecias apocalípticas que cercam as relações entre os arquiinimigos Israel e Irã.
Cansados de ouvir os dois governos batendo tambores de guerra, um casal israelense lançou uma campanha para estender a mão aos iranianos, sem intermediários. Ou melhor, por meio do intermediário universal, o Facebook.
Ronny Edry e Michal Tamir, artistas gráficos de Tel Aviv, publicaram na rede social fotos suas com os filhos e os dizeres: “Iranianos, nós nunca bombardearemos seu país. Nós amamos vocês”.
Junto com as imagens, a mensagem: “Ao povo iraniano, a todos os pais, mães, crianças, irmãos e irmãs, para que haja uma guerra entre nós, primeiro precisamos ter medo e odiar. Não tenho medo de vocês, não odeio vocês. Sequer conheço vocês. Nenhum iraniano jamais me fez mal algum”.
Não demorou muito e centenas de israelenses aderiram à campanha, formando uma galeria de fotos de pessoas que endossam a mensagem de paz ao país persa.
Ronny contou ao jornal “Haaretz” que também recebeu recebeu respostas de israelenses irados, chamando-o de entreguista, ingênuo e palavras impublicáveis. Mas o que mais o impressionou foi a reação de iranianos, agradecidos. De Teerã chegaram mensagens parecidas, com fotos de iranianos manifestando afeto aos israelenses e repudiando a escalada retórica dos dois governos.

Das páginas do Facebook, a mensagem agora vai ganhar as ruas de Israel. Inspirada pela campanha, uma passeata de repúdio à guerra foi marcada para o próximo sábado em Tel Aviv. Mantendo o espírito de criatividade gráfica que originou a campanha, foi criado um poster bem-humorado para a ocasião xingando o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o premiê israelense, Binyamin Netanyahu.
No início do mês, uma pesquisa de opinião mostrou que quase 60% dos israelenses são contra um ataque ao Irã. Isso não se refletirá na passeata, que deve ser pequena. No Irã, onde os protestos de rua contra o regime teocrático desapareceram sob dura repressão, a campanha ficará mesmo só na internet.
Fonte: Folha

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