Guerra não-declarada faz do México o lugar mais perigoso para jornalistas nas Américas

Repórter é testemunha e vítima do estado de medo causado pelo conflito com o narcotráfico, diz pesquisador

O México vive em um estado de guerra informal. Em termos oficiais, não há guerra alguma, mas as evidências são claras. Morreram mais de 60 mil pessoas nos últimos seis anos, além da cifra assombrosa de mais de 10 mil desaparecidos. São números que seriam normais em um país em guerra. Essa guerra está sendo testemunhada por repórteres, fotógrafos, cinegrafistas, e o fato de ter contato com situações de violência tão fortes, como matanças, decapitações, assassinatos massivos e brutais, os afeta psicológica e emocionalmente.

Quais as evidências estatísticas que podemos registrar em sua pesquisa?
Fiz um levantamento estatístico em muitas partes do país afetadas pela violência da guerra ao narcotráfico, nas quais media sintomas de ansiedade, depressão, stress pós-traumático, consumo de álcool e cigarro. Com isso, pude observar que 77% dos repórteres mexicanos que estão cubrindo o narcotráfico apresentam sintomas de ansiedade, 31% apresentam sintomas depressivos e o pior de tudo é que 32% padecem de sintomas de stress pós-traumático. Para que se entenda a gravidade, entre os repórteres que cubriram conflitos bélicos como os da Chechênia ou Afeganistão, foram encontrados indicadores na casa dos 29%. Lá, há guerra formal, aquí as autoridades não aceitam que há uma guerra, mas o impacto da situação mexicana vai além do de outros conflitos bélicos.

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