
Vinte anos após a extinção da URSS, as três repúblicas bálticas (Lituânia, Estônia e Letônia) juntaram-se à União Europeia (UE), mas as 12 outras ex-repúblicas soviéticas permanecem, em diferentes níveis, países autoritários, divididos por interesses divergentes, apesar da vontade da Rússia de estar no centro de uma nova aliança.
O ato de morte da URSS foi pronunciado em 8 de dezembro de 1991 com a criação da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), que reúne hoje as antigas repúblicas soviéticas, com exceção da Geórgia e dos três Estados bálticos.
As três nações bálticas, anexadas em 1940 pela União Soviética, foram as primeiras a declarar sua independência em 1991, antes de aderirem, em 2004, à UE e à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
Os países da Ásia Central –Cazaquistão, Qurguistão, Uzbequistão, Tadjiquistão e Turcomenistão–, assim como o Azerbaijão e Belarus, são dirigidos por regimes autoritários regularmente criticados pelas ONGs por violações aos direitos humanos.
Além da Rússia, onde o ex-agente da KGB e homem forte do país, Vladimir Putin, questiona desde 2000 inúmeras liberdades, a Geórgia, a Armênia e a Moldávia são acusadas frequentemente de ignorar valores essenciais das democracias ocidentais.
Conflitos latentes, cuja origem remonta, com frequência, à divisão administrativa realizada pelo ditador soviético Joseph Stálin, sem levar em conta as rivalidades étnicas e regionais, explodiram com força, após terem sido sufocados pelo regime comunista.
O Quirguistão também foi palco, no ano passado, de confrontos étnicos mortíferos entre a maioria quirguiz e a minoria uzbeque. O país, que viveu duas revoluções em cinco anos (2005 e 2010), permanece numa situação frágil, como o Tadjiquistão, onde uma guerra civil deixou dezenas de milhares de mortos no início dos anos 1990, após a extinção da URSS.
CONFLITOS
No Cáucaso, o Azerbaijão e a Armênia disputam a região autônoma de Nagorno Karabakh, enquanto que a Geórgia reivindica a Ossétia do Sul e a Abkásia, regiões que proclamaram unilateralmente sua independência, no começo dos anos 1990 e a defenderam em conflitos armados.
Em 2008, Tbilisi tentou retomar pela força o controle da Ossétia do Sul pró-russa, provocando uma guerra de curta duração, com a Rússia terminando por reconhecer a independência desse território e a da Abkásia.
A Moldávia, por sua vez, reivindica o território separatista de Transdniestria, que saiu vitorioso, com o apoio da Rússia, de uma curta guerra de independência, em 1991.
ALIANÇAS OCIDENTAIS
De acordo com os países bálticos, a Geórgia aspira a se somar à Otan, para se proteger do grande vizinho russo, após a chegada ao poder do pró-ocidental Mikhail Saakachvili, que se mostrou a favor de um levante popular, no final de 2003.
A Ucrânia fixou para si o mesmo objetivo, assim como entrar na União Europeia, após uma “revolução” pró-ocidental, no fim de 2004. Kiev mantém, no entanto, relações delicadas com Moscou, apesar da chegada, em 2010, à presidência, do pró-russo Victor Yanukovich.
Em conflito com Moscou sobre tarifas de gás, Kiev recusa-se a se dobrar às exigências russas: afastar-se da UE para se juntar à união aduaneira criada, em 2010, pela Rússia, pelo Cazaquistão e por Belarus.
Moscou tem a ambição de fundar, sob sua autoridade, uma União Econômica Euro-Asiática, nos moldes da então URSS.
Mas as ex-repúblicas soviéticas do Cáucaso e da Ásia Central, como o Azerbaijão, o Turcomenistão e o Cazaquistão, ricos em recursos energéticos, voltam-se, também, para a Europa e a China para fugir do empreendimento de Moscou e diversificar seu mercado de petróleo e gás.
Fonte: UOL

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