
Gaza, 6 nov (EFE).- A Faixa de Gaza celebra neste domingo a Festa do Sacrifício (Eid al-Adha) decepcionada pelas frustrada esperança de que a libertação do soldado israelense Gilad Shalit não representaria apenas a libertação de presos palestinos, mas também o fim do bloqueio imposto pelo Estado judaico ao território.
“O futuro aqui na Faixa de Gaza é realmente incerto, não é apenas uma questão de pobreza ou desemprego. Esperávamos que quando Shalit fosse libertado, a situação e a economia melhorariam, mas aconteceu o contrário: mais violência, mais bombardeios aéreos israelenses e mais foguetes”, lamenta Hatem Abu Zeid, dono de uma pequena loja de roupa infantil e cosméticos no centro da cidade de Gaza.
Zeid foi agraciado neste Eid al-Adha, um dos principais eventos do calendário islâmico, que relembra o sacrifício do profeta Abraão, como uma demonstração de sua fé em Deus.
Ao contrário das tradições cristã e judaica, na islâmica, o filho que seria sacrificado é Ismael, e não Isaac, embora as três coincidam no final da história com a imolação do cordeiro.
Para lembrar o episódio, Zeid comprou um carneiro de 55 quilos por US$ 330. “Não queria fazer o sacrifício neste ano por respeito aos sentimentos de meus vizinhos, que estão passando por uma situação econômica difícil”.
Como manda a tradição islâmica, a família de Zeid divide a carne em três partes iguais: uma para o comprador, outra para a família e a terceira para os pobres.
Já outras famílias têm de se conformar em dividir um búfalo com os vizinhos. É tudo o que permite a situação em Gaza, onde 1,6 milhão de pessoas estão sob bloqueio israelense desde a captura de Shalit em 2006.
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