Revista adventista dez de 2006

Por Cecilia Luck

Eu era membro de uma igreja Pentecostal durante a minha infância. Minha igreja não era uma dessas igrejas extremas em que podíamos, por exemplo, brincar com cobras, durante o culto. Cheguei a ver pessoas falarem em línguas e “desmaiar no espírito”. E como eu poderia esquecer da crença no arrebatamento secreto? Participei de peças infantis, incluindo uma que me ajudou a aprender a ordem dos Dez Mandamentos. Até hoje eu posso recitá-los. Eu estava também envolvida com o programa do ministério das crianças, conhecido como Os ‘Missionettes’. Meu irmão, Ben, estava envolvido no Royal Rangers, que é parecido com os Desbravadores dos Adventistas do Sétimo Dia. Depois de um tempo, porém, as coisas começaram a ir mal, e por causa de questões relacionadas com a Igreja,  quando eu tinha 10 ou 11 anos, minha mãe, seu marido, meu irmão Ben, e eu deixamos a igreja.

Nós se juntamos a Igreja Nazarena do outro lado da cidade, em Tennessee, onde moravamos. Sua membresia era menor que a Igreja Pentecostal, mas todos eram amigáveis. Imediatamente sentíamos que fazíamos parte da família. Quando fiz 13 anos, me tornei um membro do grupo juvenil. Chegamos a ter cerca de 100 adolescentes no grupo. Nos encontrávamos nas noites de quarta feira. Eu achava tudo muito divertido. Fomos para os retiros dos jovens e até teve um final de semana de visita à Chicago. Eu fiz um monte de bons amigos.

Eu tocava clarinete, e durante um tempo me juntei à orquestra da  igreja. Eu também cantava no coro. Os relacionamentos na Igreja eram ótimos e eu estava muito envolvida. Mas, em Outubro de 1996, cinco anos depois, tudo mudou quando recebemos uma revista pelo correio.

A revista era da Amazing Facts e falava de uma série de reuniões, apresentadas pelo Pastor Kim Kjaer, que seria realizada em nossa cidade. Não sabíamos que era patrocinado por uma organização Adventista do Sétimo Dia. Eu nem sabia o que era essa igreja antes dessa época. Minha mãe e seu marido pensavam que as reuniões seriam interessantes, então passaram a frequentar.

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Eles realmente não compartilhavam muito com o Ben e comigo até à noite da terceira semana de reuniões. O Pastor Kjaer apresentou um tópico sobre o sábado. Quando eles ouviram a verdade bíblica sobre o sábado, não foi difícil para eles aceitam. Depois eles compartilharam comigo e com Ben. No começo, não fiquei muito animada sobre isso. Minha mãe e seu marido decidiram que começariam a frequentar a igreja Adventista de nossa cidade no próximo sábado. Eles quiseram ir mais um domingo na Igreja dos Nazarenos para se despedir e explicar porque eles não voltariam mais. Foi uma doce experiência para eles.

Mudanças Lentas

Demorou um pouco mais de tempo para mim fazer a mudança. Eu era muito feliz na Igreja Nazarena. Além disso, teria que ir à igreja no sábado? Era tudo novo, estranho, e confuso pra mim. Eu só comecei ir à igreja no sábado depois de algumas semanas. Levei um pouco mais de tempo por algumas razões. Uma delas era que a igreja tinha menos de 100 membros, o que significava que tinha muito poucos jovens de minha idade. Eu poderia contar quantos adolescentes iam à igreja em uma de minhas mãos. Isto foi muito deprimente para mim, pois eu fazia parte de um grupo de jovens muito maior.
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Outra razão que me levou a demorar mais tempo para aceitar o adventismo foi que senti que era realmente estranho os Adventistas do Sétimo Dia guardarem o  sábado da sexta-feira à noite até o pôr do sol do sábado. Eventualmente, eu compreendi as razões para guardar o sábado do sétimo dia e o estranhamento desapareceu.
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Com a conversão da minha família, outras mudanças de vida vieram também. A Carne foi uma das primeiras coisas a ser deixada. Embora a família tenha se rendido à quitanda, levou algum tempo para me ajustar ao vegetarianismo.
O mais difícil para mim largar, no entanto, foram as jóias, sendo mais fácil desistir do que eu pensava, porque ninguém me forçou a fazê-lo, ou ficava me condenando. Os princípios de  uma vida livre de jóias me foram explicados,  mas a crença não me foi empurrada garganta abaixo. Com as informações que me foram dadas, eu seria capaz de tomar uma decisão por mim mesma.
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Eu comecei a ficar animada sobre a Igreja quando me registrei no acampamento jovem de Indian Creek, o acampamento da Associação Kentucky-Tennessee. O acampamento foi ótimo! Passei ótimos momentos naquela semana. Eu gostava das atividades, fiz alguns amigos, e fui batizada na igreja. Pelos dois verões seguintes eu trabalhei como uma agente do acampamento.

A Vida na Faculdade

Os 2 anos após se tornar adventista passaram rápidos. No final de 1998, comecei a buscar uma faculdade. Eu tinha ouvido falar da Universidade Adventista do Sul, por isso decidiu ir lá dar uma olhada num evento de fim de semana. Eu me apaixonei pelo lugar e sabia que a UAS era onde eu queria estudar. Me formei no ensino médio em Maio de 1999, mas não fui capaz de começar a faculdade até Janeiro de 2000.

A vida de estudante universitário era boa. Foi fácil encontrar um emprego na biblioteca do campus, para trabalhar no departamento de periódicos. Meus supervisores foram maravilhosos comigo. Eu conheci um grande número de estudantes durante o trabalho. Eu fiz alguns bons amigos, a maioria dos quais ainda mantenho. Eu me sinto bem em ter tido amigos cristãos com quem eu pudesse tanto se divertir, quanto contar nos dias ruins. Comecei a estudar Biologia Veterinária. No início do meu segundo ano, porém, Deus me mostrou que deveria tomar outro rumo. Para resumir a história, eu fiz o curso de Arqueologia do Antigo Testamento do Professor Michael Hasel, e até Novembro de 2001, fiz os cursos de Arqueologia do Oriente Próximo e Estudos das Religiões. Eu amei este novo ramo, e a Bíblia começou a se tornar muito mais viva para mim durante estes anos.

Uma Experiência de Crescimento na Fé

Toda a minha opinião sobre o adventismo, e o mundo em geral, teve uma positiva alteração na Universidade. Durante o Verão de 2001, trabalhei como um colportora na Flórida. Isto realmente abriu-me como uma pessoa de muitas maneiras. Ajudou-me a relacionar-se com todos os tipos diferentes de pessoas e me permitiu crescer espiritualmente.

Creio, no entanto, que a maior experiência mental, física e espiritual que tive,  fui como aluna missionária da Universidade. Durante o ano letivo de 2002-2003, fui para o Egito ensinar Inglês na Universidade União do Nilo, a faculdade Adventista que fica no Cairo. Essa história, foi toda uma experiência em si. Devo dizer que foi incrível poder pela primeira vez experimentar o mundo fora dos livros. Além disso, pude ver como nossa igreja vai além das fronteiras dos Estados Unidos.

Mesmo antes de começar no Egito, visitei a Turquia com o Dr.  Hasel e um grupo de alunos. E durante o Verão de 2004, eu, juntamente com outros estudantes de arqueologia, fomos com o Dr. Hasel até Hazor, em Israel, para uma escavação. Acabei crescendo na fé através de minhas importantes experiências arqueológicas.

Eu também adorava ser parte do Departamento de Religião. Tive oportunidade de conhecer todos os meus professores não apenas como professores, mas também como conselheiros e amigos. Todos eles me ajudaram em tudo: de tarefas de casa à problemas pessoais. Eu fui abençoada em ter eles para me  ajudar a ser a pessoa que sou agora. Creio que o meu crescimento na igreja e na minha vida espiritual se deu principalmente por causa de meus professores.

Os anos na UAS foram passando rapidamente. Colei Grau em Religião,em Julho de 2005 e após um semestre de ensino na Coréia, eu estava de volta à UAS terminando o curso de Comunicação em Massa. Eu não lamento em ter decidido fazer uma universidade adventista.

Além disso, tanto quanto sei, esta igreja é a única que tem grandes encontros mundiais. Estando em St. Louis em 2005 para a Sessão da Conferência Geral, fiquei encantada com o tamanho e a diversidade da nossa igreja.

Eu nunca percebi como uma revista no correio poderia mudar completamente uma vida. Olhando para trás, ao longo dos últimos 10 anos, estou feliz com todas as esperiências que tenho vivido desde que entrei pra Igreja.

Eu sou abençoada por  fazer parte da Igreja Adventista do Sétimo Dia e estou satisfeita pelo fato de Deus ter levado eu e minha família à verdade.


Cecilia Luck retornou recentemente para Collegedale, Tennessee, depois de ensinar inglês por um semestre na Coréia do Sul.

Reportagem da Revista Adventista dos EUA (Dez. 2006).

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